quinta-feira, 3 de julho de 2014

Começar a correr

Muitas vezes penso em como fui apanhada neste vício da corrida.

Quando comecei a treinar, apenas por necessidade de emagrecer, detestava fazê-lo... Mas tinha 27 anos e muitos, muitos Kg que me estavam a pôr cada vez mais doente....Tinha de fazer alguma coisa...

Saía de casa a chorar como se fosse para a forca... Achava que correr era horrível, fazia-me asma, cansava-me ao fim de 20 metros... parava, andava, voltava a tentar.... e era uma luta constante de muito sofrimento... 

Há 10 anos atrás não existia este fenómeno da corrida, nem sequer conhecia mais provas para além das duas pontes sobre o Tejo..

Corria meio envergonhada, em locais que não me pudessem ver... corria... digo eu.... eu arrastava-me durante 15 min.... e voltava para casa, exausta...

Faço a minha primeira "corrida / caminhada" na mini da Ponte 25 Abril em 2003 e fiquei uma semana cheia de dores musculares...mas não podia desistir...

Entretanto, conheço a Pista da Sobreda, pista magnifica e aberta ao publico (na altura), no qual... entrei meio envergonhada...  mas achei-lhe uma piada enorme...

Sentia-me uma atleta... nem que fosse durante 400 metros (uma volta à pista) :)

E foi na Pista da Sobreda que comecei a "competir" comigo mesma.... Ora uma volta a correr, ora outra a andar.. ora uma volta 5 segundos mais rápida... ora mais uma caminhada....

Lembro-me do dia em que a pista iria fechar para férias e eu pensei que teria de me obrigar fazer 10 voltas à pista... e que seria a minha grande vitória...

O facto é que me lembro de ter dado as ditas 10 voltas e ter pensado que era a maior Heroína de todos os tempos... tinha feito 4 Kms a correr!!! Já podiam fechar a pista para as férias... já ninguém me parava... estava a correr a sério :)

Após algumas pequenas corridas que consegui descobrir na net, de 4 e 5 kms, surge a minha primeira inscrição numa prova de 10 Kms... uma prova já muito falada na altura e que julguei ser a ideal para começar...

A minha primeira prova de chip e de 10 kms foi no dia 23 de Outubro de 2005 - Corrida "contra" o Tejo 



A Corrida do Tejo passou a ser uma das minhas provas favoritas... foi a primeira prova que recebi uma T-Shirt técnica e com a qual corri anos a fio... e que ainda guardo com muito carinho. 

Esta mesma prova, apresenta-se sempre com frases fantásticas de incentivo que só nós, praticantes da modalidade, as entendemos...


As corridas começaram a surgir, e eu comecei a participar em provas de 5 e 10 Kms....15 kms... e... no dia 18 de Março de 2007 surge a minha primeira meia maratona...



E... Nunca mais parei... :)

" Numa corrida, não importa chegar em primeiro, no meio do pelotão ou em ultimo. Poder dizer «Acabei» dá uma grande satisfação"
(Fred Lebow- cofundador da Maratona de Nova Iorque)



"Porque estou a a adorar cada maravilhoso Horrível Minuto"








E tu?

"Sofres mais, quando corres ou quando não sais para correr?"


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Da Estrada ao Trail

Quis saber qual a diferença entre um Trail e a corrida de estrada.

Como sou atleta de pelotão de asfalto há já 11 anos, resolvi experimentar o Trilho das  Lampas.

Li na revista Sport Life  que as diferenças a ter em conta entre correr pelo asfalto e correr em trail são:

"Desnivel. Pela primeira vez vais enfrentar grandes subidas e descidas. É importante que evoluas de forma progressiva para te preparares para o desnível dos treinos e das competições em que vais participar.

Distância. Os trails costumam ter percursos mais longos do que as corridas de estrada. As provas de montanha mais curtas são de cerca de 15km e as mais longas rondam os 100km aqui em Portugal. Não tenhas pressa em acabar. Começa com as corridas mais curtas para chegares às mais longas; desta forma irás ganhar experiência e desfrutando de todas e de cada uma das modalidades de trail.

Tipo de piso. O asfalto é mais duro e rápido. Provoca grande desgaste articular porque o gesto técnico é muito repetitivo; nos trails usamos trilhos, caminhos florestais, pedras, fendas, folhas, etc. Como consequência disso, o ritmo é mais lento e variado e as articulações sofrem menos.

Técnica de corrida. A postura básica de corrida é a mesma no asfalto e em trail. O que varia é o que aplicamos em subidas, descidas, zonas muito técnicas, zonas escaladada, etc.

Material. Para iniciar podes usar o material do asfalto que utilizaste até agora. As corridas de iniciação costumam ter uma dificuldade técnica baixa para facilitar ao corredor a sua incursão no mundo do trail. Uma vez que tenhas decidido transformar-te num trailer irás precisar de mudar as sapatilhas específicas, roupa resistente, mochila de hidratação e complementos (gorro, corta vento, material de primeiros socorros, etc.)."

( Sport Life 138 – edição de Setembro 2013)


O Trilho das Lampas, foi sem qualquer dúvida a nossa melhor experiência neste tipo de corrida.
Prova muitíssimo bem organizada, ao qual o nosso Fernando Andrade já nos habituou.
Foram 20 Kms fantásticos que eu e o Nuno adorámos! E adorámos porquê? 

Porque foram feitos sempre na companhia de grandes amigos e companheiros de equipa, que não nos largaram um só segundo...E porque como já referi... a organização foi extraordinária!

Fiquei com a sensação de que Trail é isso mesmo... um acompanhamento e entre-ajuda constante entre os atletas... mas com um grau de dificuldade grande para quem é "descompensada" como eu, o que levou a que..."conseguisse"  mais de 20 "torcidelas" de pés e algumas escorregadelas...



Aqui vamos nós ainda de dia, em que o Nuno transportava a sua mochila com uns ténis, meias e toalha, sempre com medo de colocar os pés numa poça de água :)

Adorámos o percurso, a paisagem... adorámos tudo... 

Continuo a achar que o alcatrão vai mais ao encontro da minha estrutura física...

Trail é maravilhoso para continuar... a fazer muitas caminhadas e algumas "provas" SEMPRE na boa companhia de amigos fantásticos!

Camané, Sofia, Vitor, António, Eu e Nuno



quarta-feira, 19 de março de 2014

Lesão física e mental

Cada vez mais procuramos qualidade de vida e o nosso bem estar, daí sermos cada vez mais uma comunidade enorme de atletas.

Para iniciar o atletismo, basta apenas que se decida - SER FELIZ!

O acto de corrermos diariamente diminui os níveis de stress e a sensação é de total e completo bem estar físico e psíquico.

Mas há que ter em atenção que esta sensação de prazer despertada pelo acto de correr, faz com que muitas vezes nos excedamos nos treinos e competições... e lá vêm as lesões desportivas.

O problema, está, em que esta lesão física não surge isoladamente, esta normalmente vem com toda a parte emocional agregada, uma vez que somos obrigados a parar o treino e  toda a rotina desportiva já criada

A sensação de "raiva", impotência, tristeza, medo, fadiga, negação, baixa auto-estima e até mesmo estado depressivo são as reacções psicológicas sentidas.


À que treinar a mente quando não podemos treinar o corpo...

Realizei o sonho de fazer uma maratona... agora encontro-me na fase de treinar a mente ...

Mas como um dia me disseram:

Sorri sempre,
Porque mais triste que o teu sorriso triste 
É a tristeza que não sabe sorrir!






quarta-feira, 5 de março de 2014

Correr, pensar, sofrer e viver a primeira maratona


Resolver fazer uma maratona, enfrentar os 42 Kms de corrida, não é tarefa fácil, no entanto, nada é impossível. Pelo sonho é que vamos!

A Maratona exige uma dedicação muito maior, não só a nível físico (treinos adequados) como a nível de preparação psicológica, que fazem com que cada maratona seja única.

Comecei a sonhar em fazer a minha primeira maratona, no dia em que fiz a Meia Maratona da Ponte Vasco da Gama (6 de Outubro de 2013) e que depois acabei por fazer perto de 32 Kms pois após a meia maratona, fomos acompanhar a Isa nos seus últimos 11/12 Kms da sua primeira maratona. A coisa correu bem e senti-me bem... o que me deixou a pensar...
Nesse mesmo dia recebo um e-mail da Isa e do João do qual partilho aqui parte (não está na integra porque era algo grande) : 

“...Isadora Costa (mundialmente conhecida por Isa) e João Lima (mundialmente conhecido por João Lima) vêm apresentar a seguinte proposta a Sandra Martins (aka Sininho) e Nuno Espírito Santo (aka NES).
O que pedimos especialmente à Sandra, é que leias este mail com muita atenção, de mente aberta, sem ideias preconcebidas e nunca esquecendo que muitas grandes ideias partiram de algo que não parecia possível ou exequível.
Posto isto, é opinião dos signatários desta petição que a Sandra tem capacidades para fazer uma Maratona....
...23 de Fevereiro, Maratona de Sevilha, alinham?”

E foi assim que eu e o Nuno tomámos a decisão de nos inscrevermos...

Já corro desde 2003, faço provas quase todos os fins de semana, desde as de mais pequena distancia às meias maratonas. São muitos anos e muitas provas nas pernas... Já era chegada a hora de fazer a prova rainha.

A Maratona:

As razões para fazer a maratona podem ser as mais diversas, no entanto a necessidade de dedicação de um período mínimo de 3 meses é igual para todos. Não é fácil, mas a compensação final em nada se compara com a de terminar uma prova de pequena ou média distância.

Foram 3 meses de alguma concentração de alguns treinos maiores e de alguns treinos de séries. Infelizmente no ultimo mês as coisas não correram da melhor forma, porque a gripe não deixava, mas tudo se fez para que a preparação fosse minimamente aceitável.
Apesar de tudo isto, sentimos sempre que não é suficiente, que faltou ainda muito treino... o sentimento de culpa começa a fazer-se sentir... mas... não há nada a fazer senão enfrentar a situação de frente.

A Maratona começa a produzir em nós alterações e sensações muito antes do tiro de partida. 
Na semana anterior, os nervos apoderaram-se de mim, o que acabou por influenciar o Nuno que não consegue ver-me sofrer. Ao aperceber-me de que estava a deixa-lo demasiado angustiado com a situação, tomei uma decisão... Não pensar mais no assunto, não pensar nem falar mais nada até ao momento da partida, foi a  melhor coisa que poderia ter feito naqueles dias que antecederam o grande dia.

Fomos muitos para Sevilha, e estarmos rodeados de bons amigos, deixaram-me mais tranquila  e descontraída.
A nossa selfie a caminho de Sevilha- João e Mafalda, Eu e Nuno, Orlando, Nora e Margarida, Isa e  Vitor, Joana e Ricky
O Dia D:

A técnica de “esquecer” o assunto deu resultado, porque me fez fingir que nada se passava a não ser uma simples corrida igual a tantas outras, mas um pouco mais longa...
Dormi bem, estava calma até ao momento em que nos deslocámos até ao estádio de Sevilha...
Mas nesses momentos que antecedem a corrida a circulação sanguínea aumenta, os músculos que estão prestes a trabalhar, a respiração acelera,  a adrenalina sobe aos picos, o que não é mau de todo, uma vez que a adrenalina prepara o organismo para esforços físicos exigentes, estimula as funções do coração e eleva a tensão arterial. Tudo em função de um organismo pronto a responder aos desafios do momento.
Quase que podia sentir a adrenalina a correr pelo corpo quando nos estávamos a dirigir para o local da partida.
No entanto olhar para o Nuno e sentir a sua tranquilidade (muita experiência, muitas maratonas) deu-me mais confiança.. eu sabia que iria ter a sua companhia, era mais um projecto a dois a partilhar do princípio ao fim.
Por outro lado, era muito agradável podermos estar junto de muitos amigos, na linha de partida.
A nossa foto de grupo:Eu, Orlando, Isa, Vitor, João e Nuno

A família ACB antes da partida

Os que faltavam na nossa foto : Afonso, Eu, Vitor, Pedro e Nuno

Lá vamos nós para a partida...

Dá-se o tiro de partida, quando a prova dá inicio o meu organismo está em constantes alterações de stress. Penso que me doí tudo e que não pode doer... Tão depressa sinto uma dor no pé, como já sinto nas costas... como uns kms mais a frente já nem me lembro do que me queixava...

Passam os primeiros 10 Kms de forma tranquila. Voltamos a ver os nossos amigos que nos estão a apoiar... Fico preocupada com os restantes que correm, nomeadamente com o João que saiu a correr de forma desenfreada sem dizer nada a ninguém... Desejava muito que a prova corresse bem a todos... que fossemos muito felizes... mas ainda faltavam 32 kms... o que se iria passar?

Eu e o Nuno falávamos e corríamos de uma forma solta... ele começa a facultar-me os abastecimentos aos 10 Kms, estava a ser uma ajuda preciosa... conversando, mantendo-me tranquila, indo buscar águas... e a velocidade era certinha... entre os 5:50 e os 6:10... lá ia eu sem me sentir cansada... mas apenas um pouco nervosa, ainda...

Aos 15 Kms voltamos a passar no meio de tantos amigos que nos aplaudem e tiram fotos... e aí sinto um pequeno cansaço (fruto do receio)... tomo o meu primeiro gel e recupero... e... a partir daí... só vos digo que por incrível que pareça... os kms foram passando de forma tranquila e eu sentia-me muito bem.
Posso não ter velocidade, mas tenho uma coisa a meu favor... tenho resistência e sou capaz de correr durante muitos e muitos kms sempre naquela mesma velocidade certinha, sem quebrar. Basta encaixar aquela “mudança” e lá vou eu... não posso ir nem mais devagar nem mais rápido... tem de ser aquela velocidade certa para aquela distancia, sempre sem sair dali, sem parar nem acelerar...

Chegamos à meia maratona e passo pelo João que me deixa um pouco receosa... pois vi-o a andar... mas ele diz que está tudo bem e que vai terminar... dá-me um sorriso enorme e eu acreditei :)

Continuo a sentir-me muito bem... O Nuno ia entretido a verificar os tempos de passagem a cada 10 kms e ia vendo como corriam as coisas... e as coisas não podiam estar melhor... estávamos sempre na mesma média de uma hora e um em cada 10 kms...

Aos 25 kms aparece uma recta grande no qual o Nuno se queixa, porque o transito estava a rolar no sentido contrario e a poluição era um pouco maior... mas eu estava tão entusiasmada com tudo o que se estava a passar que lhe disse que já iríamos passar para outra estrada... e assim foi...

Chegados aos 30 Kms... Começa a verdadeira maratona... começam as bandas musicais a aparecer, começam as bancas de sólidos.. começa a aparecer cada vez mais publico, começamos a passar pelas partes históricas e com muito mais publico. Julgo que seja tudo pensado ao pormenor, pelo menos assim o entendi.
Começo a passar por alguns amigos que conhecemos, sempre trocando palavras amigas e de muita força... 
O Cansaço começa a invadir os atletas que começam a andar ou a correr de forma mais lenta... mas eu... o que se passa comigo? Nesse momento, continuamos a correr como se nada fosse... chegamos a tocar nas mãos de algumas crianças que alegremente nos pediam que o fizéssemos... e continuávamos a passar cada vez mais pessoas...
Começo a sentir que a segunda meia está a correr melhor que a primeira... estou quente muscularmente e calma, não me sinto cansada... sinto-me feliz, muito feliz...
Mas o meu pensamento era sempre o mesmo... Onde está o tal “muro” de que tanto falam? E todas as dores que sentimos e todos os pensamentos menos bons e má disposição? Não faço ideia... mas estava com tanto medo.... Nunca tinha passado a barreira dos 30 kms... e portanto... algo de muito estranho se estava a passar... 

Mas aos 34 Kms disse ao Nuno – “É agora, estou a começar a ficar cansada...” ao que ele me diz para tomar o gel dos 35 Kms... porque me iria sentir melhor... e assim o fiz... É claro que o cansaço começava a aparecer, mas nunca baixei a velocidade... ela era instantânea... saía dos pés sem esforço, mesmo cansada (estranho mas real). Nesse mesmo instante, começámos a correr dentro de jardins lindíssimos, passamos a Praça de Espanha, que é uma paixão aos nossos olhos... é lindíssimo... e aí, começam os sentimentos a falar mais alto... Começo a ouvir gritar pelo meu nome  como se fosse a primeira atleta a passar por ali... O publico vibra com a prova e faz-nos sentir nas nuvens... 
Começamos a ter pouco espaço para correr naquela zona histórica da cidade, porque o publico está ao rubro puxando por nós... e aí... as lágrimas de emoção apareceram... O Nuno em cada abastecimento ia encher a garrafa de água que trazia desde inicio, o que me facilitava a beber, porque a partir de meio da prova os abastecimentos passaram a ser em copo... E num desses abastecimentos os voluntários chamavam-me para beber água, para não deixar passar... e eu agradeci, mas o meu "mais que tudo" já tinha tratado disso.

Aos 38 Kms comecei a saturar um pouco e já não conseguia responder nem agradecer ao esforço do publico, pobres apoiantes que não tinham culpa nenhuma, mas o cansaço fazia com que eu já não conseguisse ouvir nada... A não ser algo que me fez emocionar, uma vez mais, a mim e ao Nuno... Uma mãe colocada num local estratégico, que tinha uma barriga de grávida já muito grande, colocando-a à vista e mostrando o que tinha escrito – “FORÇA PAPÁ!” ... e nem de propósito... o pai dessa “barriguinha”  estava a nosso lado e deixou a prova por instantes para dar um beijo carinhoso ao seu filhote que já vibra com o pai, mesmo ainda na barriga da mãe.

Chegamos aos 40 Kms... e faltam dois... olho para o relógio e vejo 4h05... mantemos sempre aquele ritmo certinho... e penso que seria possível tentar chegar antes das 4:20... Uma vez mais o Nuno pensa o mesmo que eu... e lá vamos nós... Agora sim... já doía alguma coisa... mas a emoção, a sensação de apenas faltar 2 kms e qualquer coisa... fez-nos esquecer tudo...
Tenho na lembrança que tudo a minha volta a partir dos 34 Kms era muito bonito, mais bonito do que até aí... Era uma muito boa sensação... de beleza, prazer, dever quase cumprido...

E eis chegados aos 41 Kms e o estádio já está a vista.... aí o Nuno emociona-se e eu finjo que está tudo bem... mas a minha cabeça e coração estão num turbilhão de emoções... Começo a sentir o coração a disparar... está quase...

Entramos pelo túnel que dá acesso ao estádio e vejo uma vez mais os filhos do João (que fizeram muitos kms numa correria para nos apoiar em todos os locais possíveis)... entramos no estádio... e .... aí começo a ter dificuldades em respirar... a emoção era demasiado forte...

Mas eu e o Nuno aceleramos até a meta... estávamos a cumprir o sonho... o desejo destes meses todos... E dentro do tempo desejado por ambos após os 40 kms, mas que nunca sonhado antes de começar... Sonhámos em baixar das 5 horas... mas nunca o tempo magnifico que fizemos ( de notar que foi de longe o pior tempo feito pelo Nuno, atleta de menos de três horas na maratona, mas que acredito que para ele também foi uma grande vitória minha/nossa).

Cortámos os dois a linha da meta e... foi o momento de muitas emoções fortes: muito orgulho, alegria, amor, carinho, cumplicidade e muitas lágrimas de felicidade... 
Podemos  já ter partilhado muitas provas juntos, mas a maratona é realmente a prova rainha, cruzar a linha de chegada não tem preço.
É uma sensação única e todo “sofrimento” durante a prova e treinos desaparecem  ao completar a maratona. 
É um sentimento de vitória, de diversas sensações e emoções nunca sentidas, independentemente do lugar em que chegamos. 
Missão mais do que cumprida. É uma conquista muito minha mas também da minha "cara metade", pois sem ele... não seria possível.

O registo do meu Garmin

A medalha que vale ouro e com sabor a muitas lágrimas de felicidade mútua


É muito gratificante, pois a sensação de fazer o que muitas pessoas julgam impossível é única. É uma conquista muito pessoal que servirá de crescimento pessoal para tudo na nossa vida.
No final de tudo... ver  e saber da chegada de todos os meus amigos queridos que estavam na linha de partida comigo, foi algo de indescritivelmente maravilhoso! Fiquei tão feliz e emocionada quanto com a minha chegada!

Muitas emoções que falam por si. O facto de todos termos conseguido este objectivo foi maravilhoso e em especial o João, meu grande amigo do peito  - acreditou e mereceu !
Parabéns a todos!

As nossas merecidas medalhas

Por opção minha, foram muito poucas pessoas que sabiam desta minha aventura (até porque devido a diversas vicissitudes, não tinha a certeza se poderia realmente participar), agora deixo o meu muito obrigada a todos os que me apoiaram e mesmo a todos os que não sabiam e que fizeram da minha felicidade a felicidade deles quando o souberam.

E como diz alguém igualmente especial:

"Instrução dura, combate fácil"


Acho que fui contaminada pelo "vírus" da maratona!  E tu?


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Pelo Sonho é que Vamos

Compartilhar os sonhos com os amigos é um dos grandes segredos desta vida. 
A Partilha de esperança, inspiração,  coragem,  magia, alegria,  euforia...

Perseguir o sonho é desenvolver a coragem, a coragem será o combustível para conquistar as coisas fantásticas desta vida. 

Segue os teus sonhos, trabalha a tua coragem, faz a diferença. Conquista o sonho e aprecia o sucesso e todo o esforço terá valido a pena.

A incerteza da realização do sonho, por vezes trás um pouco de medo, mas o medo faz com que nos sintamos vivos.

Quanto mais seguimos e conquistamos os sonhos, mais aprendemos que qualquer coisa é possível. E somos sempre os primeiros a vê-lo acontecer, mesmo que o compartilharmos com o resto do mundo... estamos sempre sentados na primeira cadeira da fila da frente.

Os teus sonhos não têm limites e tu és o criador dos teus próprios sonhos!

A todos os meus amigos que vão partilhar o sonho este Domingo, na Maratona de Sevilha, deixo o meu verso favorito, que trago para a vida, com votos de que todos sejamos muito felizes:

 “Pelo sonho é que vamos”
Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
(Sebastião da Gama)



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Objectivos


A vida é feita de sonhos... sem os sonhos, não temos objectivos, não conseguimos atingir metas...

Mas que sonhos? Mas que objectivos?  Qualquer um... Tenho um pequeno "defeito" de apreciar tudo o que me rodeia e de tirar as minhas conclusões. Desenho filmes baseados em factos, mas são filmes meus :)
E tenho vindo a verificar que as nossas vidas apresentam, sempre, constantes objectivos a  alcançar.

Tenho como exemplo, um casal tem o objectivo de comprar a casa, de decorar a casa, de constituir família, de comprar aquele carro, de fazer aquela viagem, etc...Ou seja, são um conjunto de objectivos, baseado nos seus sonhos que fazem com que a união dos dois, tenha razão de ser...
Quando esses objectivos todos deixam de existir e o casal pára  e sente que já não existem objectivos para lutar... deixam de existir os sonhos, o casamento...
Transportando, agora, tudo isto para o que fazemos na vida... tudo tem objectivos...Aquele curso, aquela viajem, aquele emprego, aquela casa, aquele carro etc...

Sou uma eterna apaixonada pelo atletismo, porque neste nunca se deixa de sonhar e ter objectivos, novos recordes, novas experiências... 

Buscamos sempre uma constante melhoria nos nossos resultados, se hoje conseguimos este recorde... amanhã o novo objectivo já será fazer menos um minuto, ou mais um km... 

Portanto... vivemos nesta busca maravilhosamente saudável...

Resolvi visitar ao meu Garmin e procurar os meus recordes e partilha-los convosco:




Tenho o meu recorde dos 5 kms, 10 Kms e Meia Maratona... Mas não quero deixar também de mencionar os 15 Kms.

Os meus 5 Kms mais rápidos foram alcançados em prole de uma equipa de 4 elementos... foi na Estafeta de Cascais Lisboa em Abril de 2012, em que a obrigação de darmos o nosso melhor é não só por nós mas pelos outros membros da estafeta. Adorei esta prova... pena que tenha "puxado" os meus restantes companheiros para o meu escalão, perdendo qualquer hipótese de pódio (coisa que eles conseguiram no ano seguinte).

Estafeta Cascais-Lisboa  - 15 Abril 2012 com o Carlos, Eu, João e Gil

Os 10 Kms ... Esses já começam a ter barbas... já são de 2011 e tem sido difícil de ultrapassar... tenho chegado bem perto, mas ainda não foi o suficiente. Foi em Abril de 2011, na bela Vila de Constância... em que fui para a prova sem qualquer objectivo definido... mas entusiasmei-me sempre com o sentido de alcançar o Filipe e ainda tentei alcançar o João...
Tanto eu, como o João e o Filipe batemos o nosso recorde pessoal neste dia... Foi uma prova bem divertida.

GP Constância - 23 Abril 2011  com João, Fernanda, Carlos, Eu e Filipe

Já o meu recorde dos 15 Kms foram alcançados numa data muito especial (o aniversário do meu pai) - 3 de Abril de 2011 - Corrida dos Sinos em Mafra. Uma vez mais, o João e o Filipe arrancaram e eu fiquei para trás... o Catita "pegou" em mim e lá foi ele com a sua paciência, apresentando-me sempre o objectivo de alcançar alguns atletas que ele definia,  um a um, km a km... e lá fomos nós... e quando chegámos à pista olhei para o relógio e... foi uma alegre surpresa... - 1:21:53... Uma vez mais.. tenho tentado chegar perto.. mas está difícil :)

Corrida dos Sinos- Mafra - 3 Abril 2011 com o  Catita

Finalmente o meu mais recente recorde e que nem sei muito bem como consegui... mas consegui :)
Foi no dia 8 de Dezembro de 2013 - Meia Maratona dos Descobrimentos em Lisboa... estava frio.. mesmo muito frio... e lá fomos nós.. eu e a minha cara metade... E pela primeira vez eu disse - Hoje vou bater o meu recorde pessoal... e lá fui determinada... km após km... e foi impressionante... a asma deixou, as pernas deixaram e nós os dois "voamos" ao longo dos 21 kms... sempre com uma cadencia certinha... Foi uma prova extraordinária e um dia muito especial recheado de muitas emoções.

Meia Maratona dos Descobrimentos - 8 De Dezembro 2013- com Nuno (Minha cara metade)

Meia Maratona Descobrimentos - Final bem feliz :)

"Sem sonhos, a vida não tem brilho. Sem metas, os sonhos não tem alicerces. Sem prioridades, os sonhos não se tornam reais.”
E tu? Qual é o teu Objectivo?

domingo, 26 de janeiro de 2014

Correr Comigo!


Um dia comecei a escrever um livro, o qual intitulei :  “Viver Comigo!” . De facto até comecei a escrever, mas ainda não tive oportunidade de o continuar (talvez um dia...).

No entanto achei piada dar uns toques no titulo do livro, mas em tom de corrida.

Como atletas sabemos que existem vários programas que inclui distâncias, ritmos e terrenos variados para ajudar no aumento de rendimento. 
O mesmo acontece para a companhia — ou falta dela...

Correr sozinho pode ser uma experiência de uma maior meditação, em que nos conseguimos concentrar mais, limpar a mente e abstrairmos-nos de tudo o resto. Conseguimos prestar mais atenção na nossa postura, respiração e ritmo, facilitando a nossa concentração para as provas.
Mas correr acompanhado é algo muito agradável e extraordinariamente indescritível!

Eu pessoalmente sou uma sortuda, acho que pelo facto de ser mulher, sempre fui muito mimada no meio do pelotão... e conforme me dizem vezes sem conta – “Tu conheces mais de metade do pelotão!” e digo-vos meus amigos... é um prazer enorme sentir todo este carinho!
Começo por conta que conheci grande parte dos meus amigos neste mundo da corrida.
Conheci o meu grande amigo João Lima numa corrida cujo nome é bem sugestivo - Unir para Sorrir- no dia 10 de Setembro de 2006, corrida cujo objectivo seria um grande movimento nacional de solidariedade com a finalidade de oferecer dez carrinhas adaptadas ao transporte de pessoas com incapacidades, a instituições existentes no percurso. Na altura a prova não teve o sucesso que se esperava vir a ter (acho que hoje teria muito mais sucesso), mas teve este acto de unir dois amigos para a vida.
O João, desde aí tornou-se um amigo inseparável, no qual ele e a sua família passaram a ser parte integrante na minha vida, ajudaram-me nos momentos mais difíceis da minha vida e estão sempre presentes.
O João sempre foi o meu grande companheiro de corridas, e digo-vos que por vezes não é nada fácil correr comigo! É preciso saber o que dizer, como dizer e quando dizer e o João, aprendeu exactamente isso tudo.
Já fizemos provas em que riamos muito, provas em que conversámos muito, provas em que eu chorei muito... provas contra tempestades no qual o João fazia sempre de barreira à minha pessoa, para que eu não sofresse tanto...Provas em que ganhei troféus no qual ele era o único que acreditava até ao fim... enfim... Têm sido anos extraordinariamente únicos com estes amigos do coração...  

Corrida do Metro-  2008                        Mini Maratona Dezembro- 2006

A nossa Mafalda (esposa do João) também sempre foi o pilar deste nosso desporto, sendo parte integrante do mesmo, com a sua máquina fotográfica, com a sua mochila (carregada de roupa nossa) e sempre com aquelas palavras acertadas em qualquer altura, mesmo no momento em que ela um dia me disse : “...Isto ainda vai dar coisa...” e que eu fiquei muito zangada... mas o facto é que deu mesmo... e eis que surge outra pessoa que se tornou o meu mais que tudo... o meu companheiro para a vida e nas corridas, o Nuno.

Agora o João, acabou por passar o testemunho ao Nuno, como a personagem que mais corre comigo.. e digo-vos, amigos... não é nada fácil correr comigo!

O Nuno optou por fazer algo diferente do João... O João chegou a fazer uma prova inteira a inventar histórias (como se estivesse a dar de comer a uma criança pequenina) para que eu não desistisse. O Nuno opta por ir dois metros à frente, para não me ouvir dizer que quero desistir, ou algo assim... 
Mas passei a ser dependente do Nuno nestes dois últimos anos, para ouvir com atenção cada objectivo dele, para o ouvir falar, enquanto eu corro sempre em esforço e sem abrir a boca, para o ver a torcer por mim, vê-lo a vibrar com pequenos feitos que não são nada, mas que para ele são algo indescritível... e sempre como se ele nunca tivesse corrido a velocidades bem acima das minhas...


Meia Maratona S. João das Lampas 2013

Meia Maratona Almada 2013

Mas sempre tive muitos e muitos amigos que se “sacrificam” para correr comigo, que não sei se já disse, mas não é nada fácil...

O meu querido e grande amigo João Branco que me faz rir com gosto em todas as provas em que tenho o enorme prazer de participar com ele. A sua boa disposição e frases ditas de forma espontânea que nos deixa completamente fãs da sua companhia.
S. Silvestre Olivais 2011
S, Silvestre Olivais

 O Carlos Mendes, optou por outro tipo de atitude, mas que funciona também... O Carlos optou por me “picar” de forma constante, fazendo com que cresça em mim uma vontade enorme de lhe mostrar que sou capaz (resulta sempre : ) ).

O Catita é outro grande amigo que já passou por muitas provas e treinos complicados com a minha pessoa. O Catita sempre que lhe pedimos para vir... ele vem, nunca falha. Nasceu para correr sem parar e correr pelo prazer e eu admiro-o muito por isso! O Catita em prova, nos meus momentos mais difíceis imagina percursos e descreve-os como se eu estivesse nesse outro local e não ali, onde estou a sofrer!

Correpraia -Abril 2012


Até o meu querido amigo Gil, já fez de meu treinador e tinha uma paciência enorme para fazer “uma espécie de séries comigo” na Quinta da Marialva.
Na Quinta da Marialva, onde eu treino durante a semana, então já chegaram a fazer “turnos”, em que cada amigo abdicava de uma volta à velocidade deles, para me acompanhar na minha velocidade cruzeiro...

Daria para escrever um livro com tantos e bons amigos que tenho conhecido nestas provas.. que me ouvem, que me ajudam, que correm comigo... Guardo-os a todos, no meu coração!

E tu? Como é correr contigo?












domingo, 19 de janeiro de 2014

Porque não deixas de correr?

Já por diversas vezes pensei porque corremos? Porque saímos de casa à chuva e ao frio, de madrugada ou mesmo quando já todos dormem?

Diversos estudos têm mostrado que existe um aumento da libertação de endorfinas em certas partes do cérebro dos atletas durante a corrida. Muitas evidências mostram que atividades de longa duração induzem a uma redução da ansiedade, stress, depressão e melhora o humor.

Para além disso, durante a corrida, o corpo libera fenilalanina, um neurotransmissor estimulante que aumenta a atividade e agilidade mental, fazendo com que nos consigamos concentrar melhor depois de exercícios do que em outros momentos.

Não consigo chegar a uma justificação bem definida...mas eu sou uma das pessoas que vive na corrida, com a corrida e em corrida.

Um dia resolvi responder a um desafio de uma revista no qual a pergunta colocada era: - “O que mudaste na tua vida que te tornou uma pessoa mais feliz?”
E eu respondi com duas fotos, que aproveito para as colocar aqui (e ganhei o desafio):

                                  23 Anos                                                36 Anos                               

Com 23 anos a minha qualidade de vida em nada tinha a ver com os meus atuais 36 anos. Era demasiado forte, sem qualquer mobilidade, sem saber o que era o prazer de fazer exercício físico.

Por vezes a nossa vida prega-nos partidas no qual precisamos de parar, ponderar e perceber que tudo está errado. Temos de começar de novo... e nunca é tarde para começar de novo!

Hoje, não consigo deixar este vício. Não só pelo prazer de correr, como pelas condições físicas e por todas as amizades que criei e que são amizades para a vida, que me fazem feliz, que me alimentam a alma!


E é por tudo isso que correr, vicia!

E tu, porque corres?